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	<title>Beyonders</title>
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	<description>R. D. Guedes</description>
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		<title>Beyonders</title>
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		<item>
		<title>V. De volta &#8211; parte 2</title>
		<link>http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/27/v-de-volta-parte-2/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 02:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdido no tempo? Comece do começo: parte 0, parte I, parte II, parte III, parte IV &#60;&#62;&#60;&#62;&#60;&#62;&#60;&#62;&#60;&#62; – Isso aqui tá muito estranho. – Liga de novo no celular dele. – Liga você agora. Toca, toca. Caixa postal. Fora de área ou desligado. Hannah começou a ficar apreensiva. Jota foi para a janela dar uma olhada em volta. – Nada. &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/27/v-de-volta-parte-2/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=131&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Perdido no tempo? Comece do começo: <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" target="_blank">parte 0</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" target="_blank">parte I,</a> <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-sob-a-otica-dos-signos/" target="_blank">parte II</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-parte-2-ou-o-curto-caminho-ate-em-casa/" target="_blank">parte III</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/25/iv-o-olhar-do-artista/" target="_blank">parte IV</a></em></p></blockquote>
<p>&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;</p>
<p>– Isso aqui tá muito estranho.</p>
<p>– Liga de novo no celular dele.</p>
<p>– Liga você agora.</p>
<p>Toca, toca. Caixa postal. Fora de área ou desligado. Hannah começou a ficar apreensiva. Jota foi para a janela dar uma olhada em volta. – Nada. Ele não está lá embaixo. Nossa, olha só a vizinha do Alan&#8230;</p>
<p>– Pô Jota! Foco cara!</p>
<p>– Tá bom, tá bom, que foi bichano?</p>
<p>O gato havia começado a miar compulsivamente. No começo eles não ligaram muito, siameses são assim mesmo, escandalosos. Mas já fazia alguns minutos que bichano miava, fitando com os olhos arregalados o quadro em frente ao sofá.</p>
<p>– Olha lá Hannah, ele tá com aquele olhar vidrado de novo. Já falei, esse gato tem problemas neurológicos.</p>
<p>– Jota, todo gato é neurótico. O que que ele está olhando?</p>
<p>– Decerto viu alguma mosca ou algo assim no quadro, e&#8230;</p>
<p>Jota parou de falar subitamente, enquanto olhava fixamente um ponto no quadro. – Hannah, olha só que coisa estranha.</p>
<p>– O quê? – Ela se aproximou e fixou o olhar no ponto o qual Jota apontava. No quadro pintado, mas que parecia uma fotografia antiga pintado em sumi-ê mas com uma técnica bem realista mostrava um chinês mandarim, de barba grande, sentado em uma pedra, conversando com um cara em pé, usando&#8230; jeans?!</p>
<p>– Mas que p&#8230;é essa? – Jota estava transtornado. – Será que o Alan andou desenhando por cima dessa pintura raríssima?! Não tô acreditando.</p>
<p>– Ah Jota, a gente aqui com um problema real e você me chamando pra mostrar sua análise sei-lá-o-quê artística?!</p>
<p>– Mas você tem que confessar, esse auto-retrato do Alan no quadro parece que foi feito na mesma época do quadro. Tá genial.</p>
<p>– Genial vai ser quando eu encontrar ele de novo. Esse foi o cúmulo de todos os furos que ele já deu.</p>
<p>– Onde cê vai?</p>
<p>– Sair pela porta da cozinha. Aqui, como imaginei. Tá com a chave sempre por dentro.</p>
<p>– Beleza, vou junto. Já tô atrasado para o Sketch Craw. Tchau bichano.</p>
<p>Hannah abriu a porta, fechou e jogou a chave por baixo. Desceram as escadas, Jota saiu primeiro. Ela parou, olhou novamente escadas acima, com um misto de chateação e preocupação. Onde ele foi?</p>
<p>&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;</p>
<p>–<em> Como assim, meu passado</em>?</p>
<p>– Sim, seu passado. Me diga, você já ouviu a expressão “diamante de mil faces”?</p>
<p>Silêncio.</p>
<p>– Um diamante lapidado pode ter muitas faces, mas é o mesmo diamante. Aquilo que movimenta o humano em você também.</p>
<p>– Para tudo, eu não to conseguindo acompanhar.</p>
<p>– Ah, está sim. O que eu estou falando, soa familiar?</p>
<p>– Bem, sim.</p>
<p>– Alan Peterson, temos pouco tempo e preciso falar isso pra você rápido. Mesmo que você não assimile tudo agora, pelo menos a ideia será plantada.</p>
<p>Aquilo estava cada vez mais surreal. Ele ainda não sabia onde estava exatamente, ou <em>quando</em> estava. Tentou lembrar de algo que torna-se aquilo mais lógico, mas só conseguia pensar em histórias em quadrinhos e ficção científica. Lembrou de uma história do Homem-Aranha, onde ele cruza uma porta com uma adolescente e vai para uma outra dimensão. Qual era mesmo o nome?</p>
<p>– Alan, você está devaneando, de novo. Tente focar. Ou sabe-se lá onde você irá parar. – Isso assustou Alan.</p>
<p>– Como assim, onde vou parar?!</p>
<p>– Ok, preste atenção rapaz. Você veio parar aqui porque o vínculo com essa realidade é forte. Neste tempo, esta época. Aqui é um recorte no tecido daquilo que chamamos de realidade. Tudo é uma questão de “sintonizar” a frequência certa. Tem a ver com afinidade de pensamento, sentimento e manipulação de energia, no seu caso, inconscientemente. Ainda.</p>
<p>– Você está dizendo que o quadro que eu tenho na sala, que eu comprei naquele bazar, é um, deixa eu ver, “sintonizador” temporal?</p>
<p>– Não. Eu estou dizendo que você comprou o quadro porque algo nele te atraiu, e hoje você sintonizou com as energias impregnadas nesse quadro, dobrou tempo, espaço e dimensão e se teletransportou para este momento. É tudo questão de ajustar para vibrar na frequência correta.</p>
<p>– E como eu fiz isso?</p>
<p>– Como é uma segunda parte. Você fez porque é isso que <em>beyonders </em>fazem.</p>
<p>– <em>Beyonders</em>?</p>
<p>– Um nome antigo na verdade. Significa aqueles que viram e experimentaram além do normalmente aceitável. Avançaram uma etapa no processo evolutivo.</p>
<p>– Então você está dizendo que eu sou uma espécie de mutante, tipo, os X-men?</p>
<p>– X o quê?!</p>
<p>– Deixa pra lá.</p>
<p>– Não, nada de mutante, nada de mutação. Apenas o uso mais avançado do potencial que qualquer ser-humano traz dentro de si.</p>
<p>– Então eu sou, algo como, um super-heroi?</p>
<p>O Chinês gargalhou muito alto.</p>
<p>– Você anda lendo muita mitologia. Heroi já era uma expressão ultrapassada há séculos atrás <em>deste </em>tempo. Não. Você tem o potencial e já está fazendo uso dele. Está aprendendo a olhar além. Agora, todo poder em si não é bom, nem ruim. É apenas um fator adquirido. E cada um usa com um propósito. Porém, toda ação&#8230;</p>
<p>– Implica em reação. Ok, já saquei. Mas o que significa isso tudo, o que eu tenho que fazer? Digo, vim pra cá com um propósito, certo?</p>
<p>– Você veio pra cá porque sintonizou sua frequência com esse tempo-espaço, e sua afinidade de vidas passadas o levou a se teletransportar para esse momento.</p>
<p>– Peraí, vidas passadas?</p>
<p>– Digamos apenas uso e desuso da matéria Alan. Essa dimensão tem prazo de validade, mas se a matéria é animada, o que anima a matéria? Sua essência usa a matéria com um propósito até quando pode, e depois abandona para reutilizar em outros níveis.</p>
<p>Aquilo já começava a soar piração para Alan. Confrontando tudo que era lógico para ele. Mas, vejamos, ele estava em uma paisagem que a poucos minutos via no quadro, em sua sala, falando com um Chinês em uma lingua que nunca havia falado e encontrando sentido nisso tudo.</p>
<p>– Como você sabe tanto sobre mim, meu passado, tudo isso?</p>
<p>– Simples, <em>eu também sou você</em>. Uma das faces desse diamante.</p>
<p>– Cara, sai fora. Como assim?! – Alan levou um susto quando notou no olhar do Chinês uma familiaridade que não podia expressar com palavras.</p>
<p>– Como disse, temos pouco tempo. Você precisa voltar. Muita coisa está em jogo. Por enquanto posso apenas dizer que isso é, como, um revezamento. Eu preciso passar o bastão para você &#8211; eu mesmo, pois meu tempo está no fim. Por isso eu, nós preparamos esse cenário. É só o que posso dizer agora.</p>
<p>– Mas espera, e esse negócio de <em>beyonders,</em> o que é isso tudo?</p>
<p>– Você é provalmente o primeiro a despertar na sua geração. Isso pode dar em tudo, ou não dar em nada. Lembre-se, você ainda é apenas um signo com o potencial de gerar significados, ou não.</p>
<p>Alan lembrou imediatamente das aulas do Régis. Algo chamou a atenção dele pelo canto do olho.</p>
<p>– Alan, nosso tempo acabou. Você precisa voltar. – Barulho de cascos de cavalo e gritos de comando, homens subiam a cavalo a trilha, e não havia para onde ir dali, apenas para baixo no precipício.</p>
<p>– Voltar, como?! Eu não sei nem como eu cheguei aqui?</p>
<p>– Você ainda está no primeiro estágio, é um <em>Beyonder físico</em>. Seu teletransporte é condicionado dentro de signos já estabelecidos, e familiares. Você precisa de algo que o conecte com o tempo e a realidade anterior a esse, antes de ter vindo pra cá. Algum objeto físico para gerar uma conexão e pensamentos intensos o suficiente em sentimentos positivos para gerar o empuxo. Você entendeu Alan? Você tem algo com você que possa servir de suporte físico? – Alan pensou, percorreu seus bolsos com as mãos. Lembrou da foto que havia tirado com o celular.</p>
<p>– Bem, tem essa foto no meu celular&#8230;</p>
<p>– Celular? Bom, não preciso saber agora. Se é uma representação física, vai servir. Olhe para ela do jeito que olhou para o quadro e foque em algo que o conecte fortemente ao lado de lá. Não temos mais tempo.</p>
<p>– Mas, e agora?! O que eu faço depois?</p>
<p>– Espere alguns dias e volte a focar o quadro. Eu vou esperá-lo para partirmos para a segunda etapa e&#8230; – Uma flecha passou voando entre os dois. Vários homens gritando – Ali! Ele está ali!</p>
<p>– Alan! Vá, agora! – Alan começou a correr e se escondeu atrás de uma pedra, a mais ou menos 20 metros de onde estavam. Sentou-se apavorado no chão enquanto tentava clicar no aplicativo de fotos do celular. – Ah, droga, maldito <em>firmware</em>, tá todo travado, anda logo!</p>
<p>Ele se virou apavorado para olhar o Chinês – <em>eu nem sei o seu nome</em> – pensou. Mas ele já havia desaparecido. Um bando de homens vestidos como guerreiros que lembrava um filme de <em>Kurosawa, </em>procuravam alucinados por algo que já não estava mais lá. Ele se escondeu novamente. – Ah, droga. Isso! – Falou alto – Ah, não. Tarde demais. Os guerreiro berraram “Ali!” apontando na direção da pedra em que Alan estava, no instante em que ele fitava a foto do quadro na sua sala. – Anda, anda logo! – Suava frio, apertou os olhos fortemente enquanto mirava a foto. – Pensar em algo, mas o quê?!</p>
<p>Quase instantaneamente a imagem de Hannah veio à sua mente. O sorriso dela na sala de aula no momento em que trocaram olhares para fazer o trabalho juntos e mais milhares de vezes que havia visto aquele sorriso. Enquanto a imagem dela correndo para dentro da sua casa apertada para ir ao banheiro gerou um sorriso espontâneo, sentiu a mesma sensação de quando olhava para o quadro, as vozes dos guerreiros foram ficando distantes e de repente sentiu algo roçar em seu braço e afundou as costas no sofá.</p>
<p>– Ah, oi bichano! Estava me esperando? – Falou institivamente. O gato miou alto, nitidamente excitado. Pulou em direção ao pote de ração. Alan levantou-se, atordoado, sem saber o que pensar, entrou no automático e foi servir o gato com ração. Olhou para o sofá encardido de barro e suor.</p>
<p>– Minha mãe vai me matar.</p>
<p>&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;</p>
<p>No alto das montanhas, ao pé de um precipício, cinco guerreiros olhavam frustrados para uma pedra isolada a alguns metros da trilha.</p>
<p>– Ele fez contato. – Disse o capitão. Ele já havia feito uma perseguição similar, há muito tempo atrás. E, como naquela vez, o seu objetivo não havia sido alcançado.</p>
<p>– E agora capitão?</p>
<p>– Agora esperamos. A espiral irá girar. Iremos ter outra oportunidade. Vamos voltar, e reportar.</p>
<p>O sol se pôs atrás das montanhas amareladas pelos seus próprios raios. Mais uma noite chegava.</p>
<p>&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;</p>
<p>Alan se pegou olhando o pôr-do-sol da janela da sala, segurando o bilhete escrito à mão com a caligrafia inconfundível de Hannah: <em>Onde você foi?! Liga assim que puder</em>. Estamos preocupados. H.</p>
<p>Ele não ligou. Não teve coragem. Não sabia o que ia falar. Estava com a cabeça como se acabasse de ter acordado de um sonho, bem nítido, mas com vários detalhes se perdendo. A única coisa que o fazia confirmar que não havia sonhado era o sofá imundo, suas roupas idem – a mãe de Alan tinha xingado ele até a alma enquanto limpava o sofá sob pedidos não muito convincentes de desculpas, explicando que havia jogado futebol com Jota depois da faculdade. Ele odiava futebol – e o fato de Hannah ter deixado o bilhete em cima da sua cama.</p>
<p>Atordoado, ele foi se deitar, tentar dormir, organizar a cabeça, pensar sobre tudo aquilo. Naquela noite ele não leu nenhum livro, nem folheou nenhuma revista. Sabe-se lá onde ele poderia ir parar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=131&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>V. De volta</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 04:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdido no tempo? Comece do começo: parte 0, parte I, parte II, parte III, parte IV – Jota, cadê o Alan!? – Hã? Jota estava absorto lendo atentamente um exemplar da Graphic Novel BUDA, de Osama Tesuka. Hannah tirou ele do transe. – Foi pra cozinha, deve estar na sala, sei lá. &#8211; e voltou &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/25/v-de-volta/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=94&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Perdido no tempo? Comece do começo: <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" target="_blank">parte 0</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" target="_blank">parte I,</a> <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-sob-a-otica-dos-signos/" target="_blank">parte II</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-parte-2-ou-o-curto-caminho-ate-em-casa/" target="_blank">parte III</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/25/iv-o-olhar-do-artista/" target="_blank">parte IV</a></em></p></blockquote>
<p>– Jota, cadê o Alan!?</p>
<p>– Hã?</p>
<p>Jota estava absorto lendo atentamente um exemplar da Graphic Novel BUDA, de Osama Tesuka. Hannah tirou ele do transe.</p>
<p>– Foi pra cozinha, deve estar na sala, sei lá. &#8211; e voltou aos quadrinhos.</p>
<p>– Jota, eu já procurei na casa inteira, ele não falou nada se ia em algum lugar? To esperando sentada no sofá com o bichano faz uns 30 minutos pô! Já são quase duas da tarde.</p>
<p>– Não falou não. Liga pro cel dele.</p>
<p>– Já liguei, dá fora de área. Peraí, vou ali embaixo ver se ele não foi pegar algo no carro, falar com o porteiro, comprar rapadura, sei lá.</p>
<p>– Vou contigo.</p>
<p>Jota catou o exemplar de Buda e colocou na mochila, diante do olhar sensurador de Hannah.</p>
<p>– Ah, nem vem, eu vou devolver, devolvo amanhã!</p>
<p>– Sei. Anda logo.</p>
<p>Passaram por bichano sentado em cima da mesa observando atentamente os dois, como se soubesse de algo. Hannhah fez um carinho no gato, que começou a ronronar. &#8211; Aposto que você sabe onde ele foi parar, não é gato safado? &#8211; Bichano piscou o olho, devagar e arrastou a boca na mão de Hannah. Ao chegar na porta, Hannah congelou.</p>
<p>– Que foi, parou porquê?</p>
<p>– A chave Jota.</p>
<p>– Que é que tem a chave?</p>
<p>– O Alan deve ter levado, não está na porta.</p>
<p>&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;&lt;&gt;</p>
<p>Alan ainda estava desorientado. Parecia que havia acordado no meio da madrugada de súbito. Sentia tontura, desorientação e vontade de dormir. Dormir! Pensou ele. Deve ser um sonho, cochilei no sofá. Mas sonhos não são tão lúcidos.</p>
<p>Enquanto lembrava sobre o que um amigo lhe havia falado uma vez, de uma reportagem lida em uma revista sobre sonhos lúcidos, onde sabemos estar sonhando e comandamos nosso próprio sonho, o senhor à sua frente lhe tirou do quase-transe.</p>
<p>– A primeira vez é assim mesmo. É a sua consciência se adaptando a um novo contexto.</p>
<p>Aquela sensação de segurança quando em companhia de conhecidos tomou conta. Não era um sonho, embora estivesse lúcido. Na verdade mais lúcido que o normal. Poderia ser efeito dos hormônios, diante de um suposto perigo desconhecido, acelerando seus batimentos cardíacos e ampliando seus sentidos. Uma ansiedade o havia deixado pronto para a defesa. Medo, confusão e insegurança junto com uma incapacidade persistente de focar duraram um tempo. Mas agora tudo voltava ao normal. Nunca havia se sentido assim. Isso era real. Só podia ser um sonho, mas não era. Ele estava diante da paisagem que segundos, não, minutos atrás estava pendurada na parede de sua sala. Sua sala. Sua sala! Onde estava sua sala? Onde ele estava? Na China? Como assim?</p>
<p>- Respire fundo, fixe um ponto. Acalme-se – disse a voz cansada em uma lingua estranha. Era chinês?! Ele estava entendendo tudo o que aquele senhor lhe falava, em chinês, ou seja lá que lingua era aquela! A paisagem em volta estava banhada pelo sol da tarde. Luz amarela, daquelas nostálgicas, que acalmam e convidam à reflexão.</p>
<p>- Onde estamos?</p>
<p>– Aonde você quis estar – respondeu o chinês.</p>
<p>– Eu, eu&#8230; não faço idéia&#8230;</p>
<p>Você precisa viajar mais. &#8211; Sorriu frente ao trocadilho e continuou: – Você está em um dos picos Huángshān Shi, o que os americanos chamam de Lótus Peak. Mas claro, você não é americano.</p>
<p>– Sou sim, Latino, da America do Sul, Brasil.</p>
<p>– Brasil? Brasil&#8230; &#8211; O mandarim refletiu durante um tempo e continuou: &#8211; Ainda não deve existir. Claro, é perfeitamente aceitável.</p>
<p>– Como assim não existir? O Brasil foi descoberto faz mais de 500 anos.</p>
<p>– 500 anos?</p>
<p>– Sim, por Pedro Álvares Cabral, é o que conta a história oficial. &#8211; Por um momento ele pensou em como os chineses podiam ser obtusos com outras culturas que não a deles, mas depois estranhou, já que atualmente a China estava presente em todos os lugares, incluindo o tênis que calçava seus pés.</p>
<p>– Hum, colonização portuguesa então, presumo. E como é o seu país, o Brasil?</p>
<p>Aquilo soava cada vez mais estranho. – Culturalmente? Ah, é de uma cultura variada, fruto de muita miscigenação. Tem a maior floresta tropical do mundo, na amazônia e&#8230; &#8211; de repente Alan ficou em silêncio. Que papo era aquele? Conversa em chinês, falando do Brasil para um chinês mandarim na China?</p>
<p>– Cara, não vai dar mais pra continuar falando enquanto você não me disser o que está acontecendo. Estou sonhando ou não?</p>
<p>– Ah meu caro, você nunca esteve tão acordado.</p>
<p>– Eu quero voltar pra casa – disse sem muita convicção, mas de repente Hannah veio à sua mente, misturado com Jota remexendo seus quadrinhos, um sentimento de confusão e uma sensação de tontura na cabeça, então repetiu: – eu preciso voltar, como eu cheguei aqui, como eu saio, o <em>quê é</em> aqui?</p>
<p>– Você quebrou as regras e trouxe, digamos, seu eu para este local, neste momento.</p>
<p>– Peraí. Estamos falando aqui de <em>teletransporte</em>?</p>
<p>– Não da forma ou no conceito que você está acustumado. Mas é algo parecido.</p>
<p>Alan permaneceu atordoado, em silêncio. Não aceitava, nem entendia o que estava acontecendo.</p>
<p>– Alan, pense, aconteceu algo diferente com você hoje? Ou tem acontecido ultimamente?</p>
<p>– Não que eu me lembre.</p>
<p>– Tem certeza? Pense. Reflita. O que tem acontecido diferente do que vem acontecendo com você nos últimos anos. Qual padrão de pensamento se quebrou?</p>
<p>Imediatamente Alan lembrou-se das aulas do professor Régis. “quebra de paradigmas” lembrou. “novas formas de pensar. Semiótica” e falou: – bem, eu tenho tido essas aulas&#8230;</p>
<p>– Ah! &#8211; disse o chinês – Aulas! Ambientes intensos em conhecimento compartilhado. Tão necessárias e tão menosprezadas, em tantas épocas. Mas não se detenha, continue, me conte.</p>
<p>– Então, as aulas do professor Régis me fizeram pensar sobre o mundo como não tinha pensado antes. Aliás não tinha pensado em como tenho pensado diferente ultimamente&#8230;</p>
<p>– Diferente como?</p>
<p>– É uma coisa tipo&#8230; eu sei que parece, sinto haver, algo mais, mas não consigo alcançar o que é&#8230;</p>
<p>– Porque não encontra a linguagem adequada para explicar?</p>
<p>– Isso, não encontro a imagem, a figura, a explicação na minha cabeça, mas entendo o que é. E as aulas do Régis, digo, sobre signos, paradigmas e tudo mais, me ajudaram a entender melhor que&#8230;</p>
<p>– Que mudar a forma de olhar é mudar o que se olha?</p>
<p>– Isso, ou algo assim.</p>
<p>– Alan.. &#8211; começou o chinês. – O que tem caráter de lei não pode ser quebrado facilmente. Há uma visão limitada de mundo. E é bom que seja assim pois o efeito da aprendizagem é mais intenso. Mas há formas de se pular etapas. E quebrar as regras. Afinal elas estão ali na medida em que você as aceita.</p>
<p>– Regras, que regras?</p>
<p>– Regras que, por exemplo, não permitem que você pule de lá pra cá. Ou daqui para mais adiante. Há um passo após o outro, paredes, leis universais determinadas, mas não determinantes. É preciso que seja assim. Mas a regra é determinada para quem precisa delas.</p>
<p>– Quem precisa&#8230;?</p>
<p>– A lei que pune o roubo existe porque existem ladrões. Uma vez não havendo ladrões, não há necessidade de uma lei. Você entende?</p>
<p>Nunca havia pensado nisso. Quem faz as leis pensa nisso? O legislativo senta e troca ideias sobre isso? Quando isso começou? Tinha uma lógica tão simples nisso tudo que parecia algo muito complexo.</p>
<p>– Acho que entendo. Tem a ver com livre arbítrio?</p>
<p>– Lei antiga. Ação e reação. Há leis impostas e outras imanentes. Mas mesmo havendo regras, o livre arbítrio escolhe se comportar como quiser diante delas. Entenda a reação e você determinará uma melhor forma de agir. Aja da melhor forma sempre e a lei não mais se aplica, se torna desnecessária, pois o que sobra é apenas&#8230;</p>
<p>– Apenas o que é&#8230; &#8211; e lembrou: – Primeiridade!</p>
<p>– Sim Alan, primeiridade. Ausência de signos. Ausência de leis determinadas&#8230;</p>
<p>– Por uma mente de fato.</p>
<p>– Sim, como a sua, que entendeu algo além das palavras por alguns segundos e se conectou com algo tão natural quanto ser você mesmo.</p>
<p>– Algo natural? O que se conectou?</p>
<p>– O seu passado, Alan Peterson.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/94/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/94/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=94&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>IV. O olhar do Artista</title>
		<link>http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/25/iv-o-olhar-do-artista/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 04:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdido no tempo? Comece do começo: parte 0, parte I, parte II, parte III Alguns séculos antes. Já era noite, mas a vela ainda não havia chegado ao final. O fio de luz incandecente, já fraco, apoiava o olhar do jovem artista com feições envelhecidas, cansado pela obsessão em acabar a pintura. Os traços de sumi-e fluiam generosos. A &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/25/iv-o-olhar-do-artista/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=91&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Perdido no tempo? Comece do começo: <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" target="_blank">parte 0</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" target="_blank">parte I,</a> <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-sob-a-otica-dos-signos/" target="_blank">parte II</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-parte-2-ou-o-curto-caminho-ate-em-casa/" target="_blank">parte III</a></em></p></blockquote>
<p style="text-align:center;"><em><strong>Alguns séculos antes.</strong></em></p>
<p>Já era noite, mas a vela ainda não havia chegado ao final. O fio de luz incandecente, já fraco, apoiava o olhar do jovem artista com feições envelhecidas, cansado pela obsessão em acabar a pintura. Os traços de sumi-e fluiam generosos.</p>
<p>A encomenda deveria estar pronta em alguns dias, a pedido do próprio Xógum. Era uma solicitação estranha, já pedia um retrato de uma paisagem chinesa e visava presentear o imperador. “Desde Sekigahara nenhum Tokugawa insiste em relações diplomáticas tão fora do comum com o imperador” pensou o artista, vertendo da testa uma gota de suor frio enquanto sentia um arrepio incômodo na nuca. Corriam boatos de fim dos xogunatos. O artista não acreditaria nisso se não tivesse recebido um pedido tão estranho, vindo do próprio Tokugawa.</p>
<p>Ele era o principal artista em Kyoto, o que aumentava sua responsabilidade. “Nada menos que a perfeição” pensou enquanto ponderava sobre sua decisão de, depois de entregar o quadro, sair de Edo para Kyoto, a fim de encontrar quem a muito não via. “Mais alguns traços apenas&#8230;”. Sorriu levemente. Os traços captavam perfeitamente o fim de tarde na paisagem de montanhas que pareciam flutuar nas nuvens, ao por-do-sol. Utilizara uma nova técnica, Ukiyo-e, que combinava sumi-ê e cores básicas, fugindo do traço estilizado e estabelecendo um realismo impressionante ao quadro.</p>
<p>– O que acha do olhar deste artista agora Hokusai? &#8211; falou consigo mesmo, embevecido com o resultado. No dia seguinte tinha um encontro com o colega, queria ver a sua reação ao mostrar a obra antes de entregar a Tokugawa.</p>
<p>Barulho de cavalos em galope. O artista sopra a vela e põe-se em silêncio. Os galopes se aproximam, determinados, como se viessem direto para cima da casa. A água no recipiente para a tinta treme, levemente.</p>
<p>– Peguem ele! Não o percam de vista!</p>
<p>– Ele é muito rápido senhor! Ali, corram, cerquem!</p>
<p>Cavalos freiando. Alguém correndo sobre os galhos secos. O artista se esconde no fundo do tatami. Um vento frio entra pela direita, juntamente com o barulho de passos rápidos e precisos, leves. Um vulto de no máximo 1,60 m de altura se esqueira pelo estúdio. Para e escuta. Dois espadachins se aproximam e montam guarda em frente à janela. A única saída é pela porta, por onde entrou.</p>
<p>– Ali! É a única casa por aqui. Ele só pode ter entrado ali! Ando, Ando!! Abra a porta, ou iremos arrombar.</p>
<p>Ando, o artista, reconheceria os berros do capitão da elite Shinsengumi em qualquer lugar. Ele deveria vir apenas no outro dia a tarde, para levar o quadro ao Xógum. Mas parece que outras coisas o apressaram.</p>
<p>– Não, por favor, não! &#8211; susurrou a sombra, cujo olhar, mesmo sem aparecer, fitava forte Ando, encolhido no canto. Ando tremeu. Era covarde, admitia. Não queria confusão, como isso foi acontecer com ele?</p>
<p>– Se eu não responder, irão entrar. Não conheço você, pode ser tão perigoso quanto eles lá fora.</p>
<p>– Dê-me&#8230; apenas alguns segundos e irei desaparecer. Vá até a porta, não precisa distraí-los, apenas vá até a porta.</p>
<p>Ando achou estranho, e mais estranho a calma que sentia naquele momento, diante do estranho que o encarava das sombras. Concordou. Levantou-se sem falar nada e, depois de dois passos berrou:</p>
<p>– Capitão, sou eu, Ando! Você me acordou! Estou indo até a porta, não faça nada!</p>
<p>– Abra Ando! Logo!</p>
<p>Ando apressou-se e abriu a porta da frente, curvando-se em atitude submissiva.</p>
<p>– Procuramos alguém. Ele só pode ter entrado na sua casa. Onde ele está!?</p>
<p>– Senhor, sinto muito, fui acordado com os gritos da sua Divisão. Não vi ninguém entrar. Estava pronto para me recolher. Temos um dia cheio amanhã.</p>
<p>– Deixe-me entrar! &#8211; berrou e entrou porta a dentro, com mais dois soldados junto. Ando encolheu-se novamente no canto, na medida em que o capitão acendia as velas no estudio. Na janela os dois soldados, olhando para dentro, montavam guarda, impassíveis. No centro apenas o quadro, com as montanhas chinesas majestosamente pintadas, chamando a atenção do capitão.</p>
<p>– Belo trabalho – disse ele – Ele ficará satisfeito. Ando nada respondeu, apenas abaixou a cabeça e olhou ao longo do estúdio. O dono da sombra, seja quem fosse, havia desaparecido.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/91/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/91/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=91&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>III. O bem curto caminho até em casa</title>
		<link>http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-parte-2-ou-o-curto-caminho-ate-em-casa/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 02:53:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdido no tempo? Comece do começo: parte 0, parte I, parte II Alan teve uma sensação estranha de tudo aquilo estar se repetindo. Um déjà vi repentino, que fazia parecer tudo em câmera lenta. Foi tirado do transe pelo amigo. – E aí Alan? Vamos ou não? Tô com fome de hambuger. – Sei lá Jota, bateu um &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-parte-2-ou-o-curto-caminho-ate-em-casa/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=83&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Perdido no tempo? Comece do começo: <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" target="_blank">parte 0</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" target="_blank">parte I,</a> <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-sob-a-otica-dos-signos/" target="_blank">parte II</a></em></p></blockquote>
<p>Alan teve uma sensação estranha de tudo aquilo estar se repetindo. Um <em>déjà vi </em>repentino, que fazia parecer tudo em câmera lenta. Foi tirado do transe pelo amigo.</p>
<p>– E aí Alan? Vamos ou não? Tô com fome de hambuger.</p>
<p>– Sei lá Jota, bateu um desânimo, acho que vou pra casa.</p>
<p>– Seu furão! Sempre dando pra trás.</p>
<p>– E aí, cês vão fazer o que agora? &#8211; Hannah chegou furtiva e parou imóvel do lado de Alan, segurando cadernos com os braços enquanto olhava para os dois com um meio sorriso divertido.</p>
<p>– Se depender do Alan, ver a vida passar contemplativamente – disse Jota.</p>
<p>– Deixa de ser rabugento Jota – disse Hannah. – E aí Alan, bora comer alguma coisa? Queria trocar umas ideias de semiótica contigo antes de a gente começar o trabalho.</p>
<p>– Caraca, vocês <em>acabaram</em> de sair da aula. Mudem a chavezinha no cérebro!</p>
<p>– O Jota é assim mesmo Hannah, interesse localizado, não dura mais do que o espaço da sala de aula.</p>
<p>– Nem, não dura nem no espaço da sala de aula. Pronto, fui, se quiserem me sigam.</p>
<p>– Ok bicho chato. Mas antes vamos dar uma passada rápida lá em casa, quero pegar meu <em>mac</em>.</p>
<p>– E não esquece de acender também a vela para o Santo <em>Steave.</em></p>
<p><em></em><em>– Ah cara, </em>nem vou entrar de novo nesse debate. Macs são melhores. Ponto.</p>
<p>– Não, meu lápis, papel e mente são melhores. Eu só preciso de inspiração e a verdade.</p>
<p>– Argh!</p>
<p>– Meninos, não briguem. Não tem problema ser um <em>macfreak,</em> Alan. Só não comece a usar jeans e camisa preta todos os dias, e você vai ficar bem.</p>
<p>Alan emburrou enquanto os amigos riam, em meio a pedidos insinseros de desculpas. Ele morava do lado da Universidade. Uns 15 minutos a pé do centro de Ciências Sociais da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina. Comunicação Social era um curso recente, e o único que despertou o interesse de Alan e Jota, devido ao gosto por arte, desenho gráfico e afins. Queriam ser publicitários. Pra alegria de Alan, Hannah &#8211; que estudou com ele o colegial inteiro, também optou como segunda opção pelo curso (psicologia havia sido a primeira opção, mas estranhamente não passou).</p>
<p>– Vocês dois não acham que a única disciplina que valeu até agora foi essa?</p>
<p>– Essa qual?</p>
<p>– Semiótica Jota. Ah, desculpe, você estava na<em> Jotalândia</em> durante as duas horas que o professor apresentou aquela fascinante visão de mundo.</p>
<p>– Ah, era disso que ele estava falando com aquele papo de paradigma. Agora tudo se encaixa. Sei lá, eu to meio perdido ainda com tudo isso de faculdade.</p>
<p>Hannah suspirou e olhou com um misto de graça e indignação para Jota.</p>
<p>– Pois é, a gente acha que vai entrar em um curso e tudo vai se encaixar, a vida vai tomar rumo, e no final das contas só ganha mais dúvidas e perguntas – disse Alan, contemplativo.</p>
<p>– Ah, vocês dois se merecem mesmo. Faculdade não define a vida Alan! Ela só te dá os meios para <em>você </em>definir. Você tem que saber pra onde vai. Senão vai viver assim, frustrado.</p>
<p>– Acho que você devia ter feito filosofia Han, é a tua cara – disse Jota, sarcasticamente.</p>
<p>– Ah, cala essa boca sua criatura insuportável! Sério, como você aguenta o Jota, Al?</p>
<p>– Ah, meu nível de tolerância a Jotanol é alto &#8211; falou sorrindo de lado pra Hannah, enquanto a lembrança de outros tempos foi se formando na sua cabeça&#8230;</p>
<p>Alan nunca tinha tido um amigo <em>de verdade</em> até conhecer Jota, naquele fascinante mundo dos 9 anos de idade. Embora a galera do colégio e também do residencial onde Alan morava na época fossem bons amigos até hoje, naquela época ele era escolhido para <em>cristo</em> intermitantemente.</p>
<p>As crianças podem ser particularmente maldosas. Certa vez o pessoal se juntou e, só por diversão, resolveram parar de falar com Alan e ficaram assim por quase duas semanas. Isso cria cicatrizes psíquicas profundas. Alan começou a se sentir meio pária, quase um estrangeiro em um mundo de passagem. Ou pelo menos era como resolvia sentir-se para conseguir superar aquilo tudo.</p>
<p>Quando Jota se mudou com os irmãos e os pais para o prédio onde Alan morava, encontrou o futuro amigo sendo <em>moralmente </em>sacaneado pelos colegas. Depois de alguns dias assistindo aquelas cenas de humilhação Jota chegou no limite, não aguentou mais e saiu pra cima de Vinicius, um dos membros da turma, no instante em que ele havia acabado de dar uns tapas em Alan. Vinicius foi pego de surpresa e apanhou <em>muito </em>de Jota, escadaria abaixo do predio onde moravam. Foi memorável. Mas como amizades de infância são imprevisíveis, esse evento fez com que todos se aproximaxem e tornarem-se <em>realmente </em>amigos, embora ainda relembrem até hoje o evento rindo uns das caras do outro.</p>
<p>Só que Alan e Jota se tornaram inseparáveis desde então. Jota sempre com um estilo meio americanizado, com os cabelos espetados pretos e olhos da mesma cor contrastando com a pele clara era o contraste com Alan, ruivo de cabelo ondulado, olhos castanhos e sardas leves no rosto.</p>
<p>– Acho que vou tentar Psicologia de novo, Alan. &#8211; Alan foi pego de surpresa em meio ao seu devaneio. Já estavam chegando em frente ao seu predio.</p>
<p>– Como assim Hannah? Vai desistir agora, que a coisa tá começando a esquentar? &#8211; disse meio sem graça.</p>
<p>– Está mesmo Al? &#8211; disse Hannah com um olhar sacana, enquanto Alan ruborizava e arregalava os olhos. Jota sorriu marotamente.</p>
<p>– Falando sério, por mais fascinante que a comunicologia possa ser, acho que vou ser mais útil para a humanidade se puder ajudar as pessoas a se entenderem melhor.</p>
<p>Hannah era uma capricorniana pé no chão e olhos azuis no potencial humano. Meio alemã, meio italiana, nascida no interior de Santa Catarina, ela basicamente teve contato com a civilização só aos 12 anos. Até então cresceu vivendo meio isolada no interior, pois seu pai era professor em um colégio agrícola, o que ajudou no seu jeito contemplativo e racional com uma pitada sonhadora de ver o mundo. Alan era o seu oposto. Meio desatento mas brilhante e extrovertido quando algo lhe interessava, era um dos caras mais <em>gente-boa</em> que ela havia conhecido, embora sua capacidade de auto anular-se fosse gigantesca, o que incomodava e fascinava Hannah ao mesmo tempo.</p>
<p>– Mas, assim, você vai fazer Psico aqui na UFSC ou em outra?</p>
<p>– Hummmmm, tem alguém com medo de perder alguém!</p>
<p>– Quieto Jota. Vou tentar na UFSC claro, mas também na UNIVALI. O que rolar, rolou.</p>
<p>Alan tremeu ante a possibilidade de não ver Hannah todos os dias, embora nunca soubesse que pudessse tremer ante essa possibilidade. Mas se limitou a dizer: – Ah, beleza.</p>
<p>– Aí, chegamos &#8211; disse Jota. – Corre lá que a gente espera aqui Al.</p>
<p>– Ah, eu vou subir junto, quero ir ao banheiro. Falou Hannah apertando as pernas.</p>
<p>– Hum, então eu vou também, roubar uns gibis.</p>
<p>– Não vai tocar em nada. Você ainda não devolveu toda a coleção de <em>Akira</em> que levou faz duas semanas.</p>
<p>– Ah, eu <em>vou </em>sim seu mentecapto.</p>
<p>Entraram discutindo no elevador, enquanto Hannah apertou apreensiva o botão, dando pulinhos pra dentro em uma tentativa de fazer a vontade passar. Um senhor barbudo, com cara oriental olhou de canto para eles. Alan e Jota discutiam ardentemente qual dos dois seria Tetsuo e qual seria Kaneda caso um dia fizessem um filme de Akira.</p>
<p>– E aí Hannah, o que cê acha?</p>
<p>– Eu acho que vou mijar nas calças se esse elevador não chegar logo. &#8211; O senhor olhou com desprezo para a garota. &#8211; Ops, desculpe tio.</p>
<p>– Chegamos. Corre Hannah, senão pinga!</p>
<p>– Ah, cala essa <em>boca </em>Jota.</p>
<p>Hannah saiu rápido e Alan foi do lado pra abrir a porta. Ela entrou e sumiu lá dentro berrando: – Dona Inês, garota indo pro banheiro! Boa tarde!</p>
<p>– A dona Inês não tá em casa Hannah, relaxa. &#8211; Alan se referia à mãe como os amigos, quando estava com eles, e como “mãe” quando estava sozinho. Força do hábito.</p>
<p>– Jota, nada de quadrinhos, volta aqui! Ah, oi bichano. &#8211; seu gato se arrastava nas pernas carinhoso e com fome. Sempre com fome. – Já vou te dar comida.</p>
<p>Fechou a porta e guardou mecânicamente as chaves no bolso. Mochila na cadeira, notebook na mesa, outro banheiro e cozinha. Pão com queijo, maionese e suco. Andou até o quarto e viu Jota remexendo no armário de HQs enquanto dizia que já ia. Sentou no momento em que havia acabado de abocanhar o sanduíche. Aquela poltrona era boa pra relaxar, pensou pela primeira vez. Hannah devia ter emendado um número dois, pelo jeito que estava demorando.</p>
<p>Bichano pulou no colo, tirando-o do transe meditativo. Adorava gatos, odiava os pêlos. “Sai fora Bichano” &#8211; Colocou com calma o felino no chão, uma, duas, três, vezes, até que ele ficasse por lá. Gatos são criaturas difíceis.</p>
<p>Na pequena e quadrada sala de visitas, acima da mesa de jantar, havia um quadro com uma pintura belíssima de <em>Huángshān Shi</em> também conhecidas como The <em>yellow mount</em>, no leste da China. Tinha esse nome pelo cenário, famoso pelos pôr-de-sóis. A paisagem era peculiar: picos de granito com mais de mil metros de altura, que lembravam árvores flutuando sobre um “mar de nuvens” enchendo os olhos.</p>
<p>Retratava um fim de tarde, tinha tonalidades amarelo-avermelhadas, que contrastavam com a paisagem verde-escura das montanhas. Trazia paz e tranquilidade para o ambiente. Fora um presente de sua prima, no seu último aniversário. Pensou se tinha vontade de conhecer o lugar. Mas tinha uma sensação estranha, como aquela que temos quando já conhecemos muito um lugar e queremos ir para novos horizontes.</p>
<p>Sacou seu celular do bolso e enquadrou o quadro na pequena tela. Registrou a foto. Ia usar de papel de parede. Guardou o telefone no bolso esquerdo de seu jeans – era a segunda semana sem lavá-lo. Pensou no porquê se lava camisas com mais frequência do que calças. – sentou-se novamente e voltou a olhar para o quadro, procurando notar algo além do usual.</p>
<p>Ele estava determinado a aprender a ver o mundo “sob a ótica dos signos” como o professor havia explicado. De repente um ímpeto de reflexão mais profunda surgiu, talvez pela primeira vez e ele pensou no seu próprio jeito de ser.</p>
<p>Alan era muito visual.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/83/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/83/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=83&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>II. Sob a ótica dos signos</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 02:49:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdido no tempo? Comece do começo: parte 0, parte I &#8220;Evite pensar e alguém o fará por você.&#8221; Algumas horas antes. As aulas de Semiótica eram sempre interessantes. Isso porque iam além de tudo o que Alan havia aprendido no colégio. Quando Alan leu na lista de matérias do semestre “Linguagem e Semiótica aplicada” aquilo chamou uma &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/ii-sob-a-otica-dos-signos/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=80&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Perdido no tempo? Comece do começo: <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" target="_blank">parte 0</a>, <a href="https://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" target="_blank">parte I</a></em></p></blockquote>
<p style="text-align:center;"><strong><em>&#8220;Evite pensar e alguém o fará por você.&#8221;</em></strong></p>
<p><em>Algumas horas antes.</em></p>
<p>As aulas de Semiótica eram sempre interessantes. Isso porque iam além de tudo o que Alan havia aprendido no colégio.</p>
<p>Quando Alan leu na lista de matérias do semestre “Linguagem e Semiótica aplicada” aquilo chamou uma atenção grande demais para uma palavra que nunca tinha sequer ouvido falar antes. O interesse foi imediato. Já estava na terceira fase do curso de Comunição Social e até então havia sido uma experiência não muito empolgante. Não que o curso fosse ruim. Nem os professores. Mas Alan estava ali meio forçado, sentindo uma ausência de sentido na vida que ultrapassava os muros da faculdade estendendo-se até sua casa, suas coisas, seus sonhos.</p>
<p>A primeira aula de Semiótica havia aberto seus olhos para outro universo. Sentia-se motivado por aprender <em>mesmo </em> algo a primeira vez na sua vida recentemente adulta. O professor falou das categorias universais dos signos, proposto por Charles Sanders Peirce quase um século antes.</p>
<p><em> Primeiridade, Secundidade e Terceiridade. </em>Não eram as fases do desenvolvimento fisiológico humano. Eram um método pelo qual todo fenômeno passa pela cognição. Contato, conflito e generalização de tudo o que pode ser percebido por uma mente em potencial. Isso fazia pra ele um sentido absurdo, apesar de a maioria dos colegas, ignorarem os esforços do professor, afundando-se nos mundinhos virtuais dos <em>smarthphones</em> (procedimento adotado também por ele, em certas ocasiões), deixando claro a ausência total de entendimento e consequentemente de interesse, para a frustração do professor.</p>
<p>Menos, é claro, para Hannah. Era como se para ela tudo fosse interessante. Ela se empolgava tanto com aulas de Metodologia Científica que até Alan ficava desconcertado. Bom, pelo menos dessa vez ele poderia trocar idéias <em>de verdade </em>sobre alguma matéria com ela.</p>
<p>O nome do professor era Régis. E nessa aula abordava a linguagem audio-visual, falando sobre os três paradigmas da imagem: pré-fotográfico, fotográfico e pós-fotográfico, baseado nas idéias da semioticista Lucia Santaella de 1993. Um assunto que despertou um novo olhar sobre coisas supostamente triviais.</p>
<p>Não conseguia expressar objetivamente o que sentia e o que havia entendido, em um nível mais profundo, mas tinha certeza de que era algo importante e que a maioria das pessoas não parecia entender muito bem. Era como se pudesse falar algo muito avançado mas tinha certeza de que a idéia não seria apreendida.</p>
<p>“Os três paradigmas da imagem. Alguém aí saberia me dizer o que é <em>paradigma? </em>Alguém, heim, ninguém arrisca?”</p>
<p>Silêncio. Regis continuou desanimado.</p>
<p>– Sinto que existe <em>um deles</em> aqui, a ser quebrado. – Falou alto. Dúvidas no ar.</p>
<p>– Um <em>o quê? </em>Perguntou Jota, saindo de seu mundo de rabiscos no papel. Folhas e folhas de desenhos e nenhuma anotação sobre a matéria.</p>
<p>– Esse padrão que vocês impõem a qualquer um que se aventure se plantar aqui na frente e tentar estabelecer um estado de comunicação com vocês. Já se colocaram no meu lugar?</p>
<p>Ele tinha conseguido deixar todos constrangidos. Menos Simon, que volta e meia gargalhava alto com seus fones de ouvido, certamente alucinado com algum <em>podcast</em>. Continuou.</p>
<p>– Vocês não se sentem cansados desse padrão? Dessa “tensão” no ar toda vez que precisam participar? Quem entra na turma de vocês, mesmo não querendo acaba seguindo esse padrão estabelecido pela maioria. Do silêncio diante da pergunta. Da incerteza do professor se alguém entendeu <em>alguma coisa.</em></p>
<p>E completou: – <em>Isso</em> é um paradigma. Uma matriz, um padrão a ser seguido. E no caso de vocês, completamente ultrapassado. Mas tão <em>arraigado </em>que se alguém foge do padrão é criticado instantanemente. Como se fosse vergonhoso demonstrar interesse.</p>
<p>A turma estava estupefata. Nunca mais esqueceriam o que é um Paradigma.</p>
<p>– Eu <em>desafio </em>vocês a quebrarem esse paradigma, assim como Einsten, Newton, Peirce, Aristóteles, Hipatia de Alexandria, Platão, Picasso, Gandhi, Steave Jobs, Alotoni e Azaghal e tantos outros antes de vocês. São pessoas que ousaram quebrar as regras, os padrões vigentes, os modelos de comportamento e pensamento e ajudaram no desenvolvimento do progresso humano, na ciência, arte, religião e também diversão. Realizações que chamamos de <em>paradigmáticas</em>, pois geraram modelos que orientaram os que vieram depois deles. Quantos de vocês tem um <em>iPod </em>aí no bolso?</p>
<p>Mais de 80% da sala levantou a mão. A maioria, ao ouvir a palavra <em>iPod, </em>tiraram os fones brancos do ouvido.</p>
<p>– Um produto <em>paradigmático</em>, copiado ao extremo, esse aí. Rompeu o paradigma do mundo musical. Antes já existia o <em>mp3 player</em>, mas depois dele ouvir música se tornou outra coisa, outra <em>experiência</em>. Concordam?</p>
<p>– Burburinhos. Olhos atentos. Uma reação inesperada.</p>
<p>– Nossa, vejo que estão quebrando o paradigma do silêncio. E a culpa era do <em>iPod. </em>Maldito Steve!</p>
<p>Risos gerais. – Vou fazer um acordo com vocês. Desafio a um trabalho em duplas. O objetivo é trazer cenários atuais que são um padrão comportamental, em comunidade ou partilhado por cientistas de uma determinada linha qualquer, apresentá-los e em seguida trazer novos cenários que ultrapassem o paradigma vigente apresentado. E que seja <em>útil</em> à humanidade.</p>
<p>– Difícil heim profe! Berrou Jéssica. Ninguém aqui é gênio, nem cientista ou <em>experto</em> em alguma coisa.</p>
<p>Regis retrucou – Discordo completamente de você minha cara. Não é preciso ser gênio para quebrar um paradigma. É preciso apenas ver o mundo com outros olhos.</p>
<p>Escreveu a data no quadro e mudou de assunto.</p>
<p>Alan olhou pra Hannah e depois pra Jota. Jota estava entretido de volta nos desenhos. Hannah olhava pra ele. Sorriu. Ele também. Ela fez sinal com as mãos que indicava claramente “vamos fazer juntos?” Ele confirmou com a cabeça. Jota acordou do transe de ilustrador em que se encontrava e olhou pra Alan, convidando para o trabalho com um gesto como se já estivesse certo que eles iriam fazer o trabalho juntos. Ele olhou pra Hannah, ela ria. Alan pensou “É um sem noção” e balançou negativamente a cabeça, disse não, riu e olhou pra frente.</p>
<p>Jéssica tocou nas costas de Jota, que ainda tentava entender o “não” enfático de Alan. Derrubou, no susto, os desenhos no chão. Vários desenhos se espalharam, rabiscos de personagens heróicos.</p>
<p>O professor parou, se moveu em direção ao desenhista e juntou os desenhos com uma cara séria. Silêncio total. Jéssica se recolheu e olhou as unhas. Jota congelou, tenso. Alan olhava dos desenhos para Jota, dele para Hannah e dela para o professor.</p>
<p>– Gênio! Falou Régis. Jota deu de ombros. Jéssica arregalou os olhos. Alan começou a bater freneticamente os pés no chão e Jotalhos com Jotalhos.</p>
<p>– Er, o senhor falou que não precisava ser gênio profe – disse Jéssica, desconcertada.</p>
<p>Régis olhou incrédulo. Ignorou-a solenemente. Ao que ela emburrou ao mesmo tempo que voltava para as unhas.</p>
<p>– Jota, você me deu o gancho perfeito. Jota sorriu orgulhoso embora não tivesse a menor idéia do que o professor estava falando. Mas continuou interessado como se soubesse. Jéssica lançou um olhar suspeito para a nuca de Jota.</p>
<p>– <em>People &#8211; </em>Régis se dava essas liberdades linguísticas quando estava animado – o que é isso? Mostrou um dos desenhos de Jota para todos.</p>
<p>Hannah levantou as mãos: – Uma prova material da completa dispersão do Jota em sala de aula? Risos gerais. Tapa na orelha de Jota. Alan ria copiosamente. Régis também riu.</p>
<p>– Além disso, meus caros.</p>
<p>Jota se indignou. Mas dois segundos depois devaneou e ficou olhando o vazio, como se ouvisse o professor em outra frequência.</p>
<p>– Um desenho, obviamente. &#8211; Susane falou suspirando em tom <em>blasé.</em></p>
<p><em> – </em>Uma obra de arte. Disse Samantha, em tom sarcástico, mas que deixou Jota cheio de orgulho. Ele sorriu pra ela e ela correspondeu. Jéssica ficou vermelha, de raiva.</p>
<p>Jota levantou a mão e revelou o que estava pensando segundos antes: – <em>É um processo artesanal de transposição imagística em uma produção imagética sobre um suporte físico, no caso a folha de papel.</em></p>
<p>Hannah abriu a boca. Alan olhou incrédulo. Jéssica sentiu orgulho, embora não entendesse nada do que ele havia falado, sabia que era algo inteligente. Alguns esperavam para ver se era para zoar com Jota ou ficarem quietos, conforme o que Régis falasse.</p>
<p>– É isso que faz esse emprego valer a pena. Descobrir diamantes brutos. Agora sim: gênio!</p>
<p>Jota inclinou pra trás, cruzou as pernas e os braços ao mesmo tempo e adotou uma expressão “eu sou o cara”. Olhou para Sam e falou – Sim, eu <em>sei ler</em> além de desenhar. Embora só o que me interesse.</p>
<p>– Vocês entenderam o que ele falou? É uma imagem produzida pelo processo artesanal. Qual é o diferencial aqui? O <em>olhar</em> do artista. Esse é o filtro da realidade.</p>
<p>– Nesse caso um filtro lindão&#8230; &#8211; Falou Samantha para Susane, baixo, enquanto Jéssica ouvia indignada.</p>
<p>Esse processo faz parte do que iríamos falar hoje, se o tempo não fosse curto. Os três paradgmas da imagem. Estudem para a próxima aula. Por enquanto, apenas uma pincelada. Escreveu no quadro:</p>
<ol>
<li>PARADIGMA PRÉ-FOTOGRÁFICO ou <em>processos artesanais de criação da imagem</em>: é a produção artesanal, que dá expressão à visão por meio de habilidades manuais e corporais. Aqui entram desde as gravuras nas cavernas até o desenho, a pintura e a escultura</li>
<li>PARADIGMA FOTOGRÁFICO ou <em>processos automáticos de captação da imagem</em>: onde ocorreu a automatização na produção da imagem, por meio de máquinas que utilizam lentes e processos para a fixação da imagem em determinado receptor. Vai desde a imagem fotográfica, até o cinema, tv, vídeo e hologramas.</li>
<li>PARADIGMA PÓS-FOTOGRÁFICO ou <em>processos matemáticos de geração da imagem</em>: também pode ser chamado de <strong>gerativo.</strong> São as imagens virtuais, derivadas de uma matriz numérica, simuladas, independentes de uma referência real.</li>
</ol>
<p>– Isso tem tudo a ver com o que falamos sobre paradigmas. O paradigma artesanal indica metáfora, é o olhar do artista como janela para o mundo. Alusão a um mundo que não existe por ser uma <em>representação</em>, a visão de um sujeito. A fotográfica é a Metonímia, como falamos, relação por contigüidade, entre o real e a imagem. E aquelas que vocês já nascem sabendo, a pós-fotográfica, a linguagem digital, de web, computadores e afins, funcional, experimental, partindo de um modelo simbólico. Bem vindo ao mundo do virtual. Estudem!</p>
<p>Tocou o sinal. Polvorosa, corrida em direção à saída.</p>
<p>– E aí, vamos? Tem exposição de quadrinhos hoje no Shopping do <em>Sketch craw</em>. Não quero me atrasar. – Disse Jota para Alan enquanto arrumava os desenhos na mochila.– Só um pouco cara.</p>
<p>Alguma coisa piscava no cérebro de Alan. Levantou absorto e caminhou ao lado de Jota. Não havia mais ninguém na sala.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/80/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/80/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=80&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>I. Partindo</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 02:34:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>

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		<description><![CDATA[Alan era muito visual. Gostava de cores, de formas e se deixava levar por apelos sem muito conteúdo. Hannah odiava isso, pensou. Entrava em discussões inúteis sobre sentidos inexistentes em peças artísticas. Gostava de desenhar, pintar, embora já não visse muito sentido em fazer tudo isso. Havia perdido a importância. Mas, enfim, era difícil mudar velhos &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/09/24/i-partindo/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=75&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alan era muito visual.</p>
<p>Gostava de cores, de formas e se deixava levar por apelos sem muito conteúdo. Hannah odiava isso, pensou. Entrava em discussões inúteis sobre sentidos inexistentes em peças artísticas. Gostava de desenhar, pintar, embora já não visse muito sentido em fazer tudo isso. Havia perdido a importância. Mas, enfim, era difícil mudar velhos hábitos.</p>
<p>Pensou tudo isso com uma tranqüilidade anormal. Também gostava de um bom livro, um bom argumento, mas lhe faltava muitas vezes a paciência necessária para percorrer com mais calma cada linha da leitura. Embora fosse fácil apreender o sentido, perdia os detalhes, inclusive de textos estéticos, como quadros, pinturas. O que dizer, tinha um funcionamento psíquico destrambelhado.</p>
<p>Desconfiava que tinha alguma coisa a ver com déficit de atenção ou hiperatividade, mas não pensava muito a respeito. Era bastante preguiçoso quando as coisas não despertassem interesse.</p>
<p>Fazia pouco tempo aprendera a respirar fundo e esperar os outros acabarem de falar, embora nem sempre resistisse a se atravessar em uma conversa. Hannah abominava esse costume dele, e vivia chutando por baixo da mesa, pensou sorrindo.</p>
<p>Não tinha <em>timing</em> para isso. Já havia conseguido ficar mais de hora sem bater os pés no chão ou brincar com as mãos e conseguia, com certo esforço, não se entediar dentro de uma palestra, curso ou sala de aula. Seus devaneios não eram mais tão frequentes.</p>
<p>Embora sempre fosse fácil esquecer de detalhes, sua mente costumava guardar pormenores de assuntos e culturas inúteis, como por exemplo o dialogo completo do filme <em>Back to the Future </em>e outras pérolas <em>nerd</em>. Seu senso de prioridade ainda não havia amadurecido, mas ele se esforçava.</p>
<p>Foi exatamente quando conseguiu aquietar um pouco mais sua mente, naquela poltrona, que o fenômeno aconteceu pela primeira vez.</p>
<p>O quadro já estava ali faziam quatro meses, porém somente agora ele havia parado para observá-lo. Decerto era a primeira vez que voltava sua atenção para os detalhes de um quadro de forma tão introspectiva. Fixou os olhos em um ponto específico e relaxou. Vários pensamentos aleatórios cruzaram sua cabeça e alguns sentimentos ainda sem descrição pulsavam e desapareciam em um ritmo encadeado. Toda vez que devaneava, procurava voltar a olhar o quadro com imagens de uma China que não conhecia. Elas tomaram conta de sua mente. Não sabia precisar por quanto tempo estava já sentado ali, olhando.</p>
<p>Foi quanto a paisagem pareceu se aproximar de seus olhos, como em um zoom, porém de forma muito sutil. Era mais como se ele estivesse movendo-se em direção a ela. O vermelho do pôr-do-sol tornou-se mais intenso e ele começou a sentir o vento batendo na sua face. Vento? Era um quadro, ou uma janela? Estava divagando novamente. Então cheiros diferentes, barulhos de animais desconhecidos, grilos, isso, não, cigarras, não sabia dizer. A sensação era de estar crescendo, inflando, saindo de si. Uma sensação de leveza, agradável. Clarão branco. Silêncio total. Ausência de sentidos, de espaço e de si. De repente, todos os sentidos de uma vez só, voltaram novamente. Não estava mais na sala.</p>
<p>Sentiu de repente a grama sob seus pés e olhando para baixo e o chão da sala deu lugar a um penhasco e a visão de milhares de metros abaixo. Alguém segurou-o pelo ombro e o puxou para trás. Deu alguns passos atrapalhados e caiu na grama. A sua frente a paisagem outrora em um quadro na sua sala, erguia-se à metros de altura. Sentiu-se desorientado. Olhou em volta e não acreditou no que viu: estava sentado no topo de uma montanha, de frente para a paisagem no quadro, porém estava presente naquele local, vivo, materializado.</p>
<p>Uma figura calmamente cansada olhava para ele, como se estivesse esperando durante muito tempo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/beyonderbook.wordpress.com/75/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/beyonderbook.wordpress.com/75/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=75&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>0. Comunicação</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 19:07:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo Guedes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beyonder. Livro 1: Signos]]></category>
		<category><![CDATA[alem]]></category>
		<category><![CDATA[beyonder]]></category>
		<category><![CDATA[capitulo I]]></category>
		<category><![CDATA[comunicacao]]></category>
		<category><![CDATA[signo.]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Tudo que o homem ignora não existe para ele. Por isso a criação se reduz, para cada um,  ao tamanho do que abrange o seu saber.”  (Antoine de Saint-Exupéry) Antes, é preciso entender. A base da interação humana é a comunicação. Tudo o que você é, faz, pensa, fala, deixa de fazer comunica algo. O processo &#8230;<p><a href="http://beyonderbook.wordpress.com/2011/08/14/parte-i-alem/" class="more-link">Ler mais</a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=beyonderbook.wordpress.com&amp;blog=5495850&amp;post=33&amp;subd=beyonderbook&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align:left;" align="CENTER"><strong><em>&#8220;Tudo que o homem ignora não existe para ele.</em><span class="Apple-style-span" style="font-weight:normal;"> </span></strong><strong><em>Por isso a criação se reduz, para cada um, </em><span class="Apple-style-span" style="font-weight:normal;"> </span></strong><strong><em>ao tamanho do que abrange o seu saber.” </em></strong></p>
<p style="text-align:left;" align="CENTER"><strong><em></em></strong><em>(Antoine de Saint-Exupéry)</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;" align="CENTER">Antes, é preciso entender.</p>
<p>A base da interação humana é a comunicação. Tudo o que você é, faz, pensa, fala, deixa de fazer comunica algo. O processo conhecido é simples: implica em um emissor, o conteúdo da mensagem, um meio de transmissão e receptores. É preciso também um código, inteligível tanto por emissores quanto receptores, que coloquem ambos em um estado de entendimento. Essa questão é crucial. Tudo pode ser um código que equalize mensagens ou conteúdos. A isso chamamos linguagem. Tudo o que comunica é uma espécie de linguagem, independente do sentido utilizado para sua captação: visão, audição, tato, paladar.</p>
<p>Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Existem comunicações além dos códigos e sentidos tradicionais. Além daquilo que é captado apenas pelos mecanismos físicos do sistema complexo que é a interação entre mente e energia.</p>
<p>Espectros de luz e cores além de nossa imaginação podem ser captados por outros sistemas visuais de seres vivos bastante conhecidos, como algumas espécies de pássaros. Freqüências sonoras além do que nosso mecanismo auditivo pode decodificar, ressonam nos ouvidos mais privilegiados de cães e gatos. Sensações tão sutis que passam despercebidas por nossos sistemas nervosos, cheiros nunca percebidos e a uma distancia absurda são rotina para outras espécies, com paladares também tão sofisticados quanto são os poros de nosso corpo. Nada disso é privilégio desses bípedes mamíferos com grandes cérebros e enorme capacidade de adaptação, os seres humanos. Mas existem atributos além desses, acessíveis a todos.<span id="more-33"></span></p>
<p>O maior erro da ciência é utilizar um paradigma estagnado para explicar fenômenos que não se aplicam ao cenário do que é conhecido.</p>
<p>Em um mundo mediado por nossas percepções, só existe a realidade interpretada. E aquilo que é comum à maioria, foi aceito ou imposto como verdadeiro.</p>
<p>Somos condenados a um mundo limitado ao espaço ínfimo de nossos sentidos. E nossos sentidos são uma síntese do potencial ilimitado de nossas consciências.</p>
<p>Dito isso é preciso entender: tudo o que existe deixa uma impressão. Um registro. Apenas uma pequena parte desses registros foram decifrados. E toda tradução é, em síntese, uma interpretação de alguém. Livros, línguas, inscrições, desenhos, gráficos, monumentos, poemas, sinais de fumaça, hieróglifos, gravações, sons e grunhidos, musicas e canções são apenas um pequeno review, mero prefácio de uma história de bilhares de anos. Nossa limitação é conhecê-la através da interpretação de outros.</p>
<p>Mas não todos.</p>
<p>Alguns extrapolaram o comum e representam todo o potencial humano. Conseguem acessar informações onde ninguém mais consegue. Da água ao ar, das intenções às decisões, do papel ao virtual, do que está na gênese da matéria, de objetos que nem estão na dimensão perceptivel do mundo material, tudo pode ser objeto lido. É quando o tecido ilusório da realidade que nos cerca cai e vemos além dos meros sentidos físicos. São esses os que viram além do aceitável.</p>
<p>São os que foram além, <em>Beyonders.</em></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family:Courier, monospace;"><span class="Apple-style-span" style="font-size:x-small;"><em><br />
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