“Tudo que o homem ignora não existe para ele. Por isso a criação se reduz, para cada um, ao tamanho do que abrange o seu saber.”
(Antoine de Saint-Exupéry)
Antes, é preciso entender.
A base da interação humana é a comunicação. Tudo o que você é, faz, pensa, fala, deixa de fazer comunica algo. O processo conhecido é simples: implica em um emissor, o conteúdo da mensagem, um meio de transmissão e receptores. É preciso também um código, inteligível tanto por emissores quanto receptores, que coloquem ambos em um estado de entendimento. Essa questão é crucial. Tudo pode ser um código que equalize mensagens ou conteúdos. A isso chamamos linguagem. Tudo o que comunica é uma espécie de linguagem, independente do sentido utilizado para sua captação: visão, audição, tato, paladar.
Mas isso é apenas a ponta do iceberg. Existem comunicações além dos códigos e sentidos tradicionais. Além daquilo que é captado apenas pelos mecanismos físicos do sistema complexo que é a interação entre mente e energia.
Espectros de luz e cores além de nossa imaginação podem ser captados por outros sistemas visuais de seres vivos bastante conhecidos, como algumas espécies de pássaros. Freqüências sonoras além do que nosso mecanismo auditivo pode decodificar, ressonam nos ouvidos mais privilegiados de cães e gatos. Sensações tão sutis que passam despercebidas por nossos sistemas nervosos, cheiros nunca percebidos e a uma distancia absurda são rotina para outras espécies, com paladares também tão sofisticados quanto são os poros de nosso corpo. Nada disso é privilégio desses bípedes mamíferos com grandes cérebros e enorme capacidade de adaptação, os seres humanos. Mas existem atributos além desses, acessíveis a todos.
O maior erro da ciência é utilizar um paradigma estagnado para explicar fenômenos que não se aplicam ao cenário do que é conhecido.
Em um mundo mediado por nossas percepções, só existe a realidade interpretada. E aquilo que é comum à maioria, foi aceito ou imposto como verdadeiro.
Somos condenados a um mundo limitado ao espaço ínfimo de nossos sentidos. E nossos sentidos são uma síntese do potencial ilimitado de nossas consciências.
Dito isso é preciso entender: tudo o que existe deixa uma impressão. Um registro. Apenas uma pequena parte desses registros foram decifrados. E toda tradução é, em síntese, uma interpretação de alguém. Livros, línguas, inscrições, desenhos, gráficos, monumentos, poemas, sinais de fumaça, hieróglifos, gravações, sons e grunhidos, musicas e canções são apenas um pequeno review, mero prefácio de uma história de bilhares de anos. Nossa limitação é conhecê-la através da interpretação de outros.
Mas não todos.
Alguns extrapolaram o comum e representam todo o potencial humano. Conseguem acessar informações onde ninguém mais consegue. Da água ao ar, das intenções às decisões, do papel ao virtual, do que está na gênese da matéria, de objetos que nem estão na dimensão perceptivel do mundo material, tudo pode ser objeto lido. É quando o tecido ilusório da realidade que nos cerca cai e vemos além dos meros sentidos físicos. São esses os que viram além do aceitável.
São os que foram além, Beyonders.